[ editar artigo]

Recuse sempre, mas se não der, recicle.

Recuse sempre, mas se não der, recicle.

O primeiro passo para as mudanças que precisamos para um mundo melhor pode começar hoje! Muitas pessoas ainda não se deram conta da quantidade de resíduos que geram (em média 1kg por dia), outras não separam e uma grande maioria ainda chama tudo de "lixo". Pesquisas demonstram que esse é o ponto de partida preferido para praticar a sustentabilidade no dia a dia. Para 99,99% dos mortais é o primeiro passo para uma jornada de conscientização infinita, prepare-se! Vai ser bom para você, para todos à sua volta e até para quem está do outro lado do planeta.

A 1ª coisa que você precisa fazer é entender que LIXO é a invenção menos inteligente criada pela raça humana, um erro de design, algo que não existe na natureza, onde tudo é cíclico e se transforma em nutriente para o sistema. Por esta mesma razão, a economia circular virou tendência e tem alimentado nossa esperança em transformar o design dos produtos, dos serviços e por consequência da própria economia.

A partir de 2010, com instituição da Política Nacional dos Resíduos Sólidos - PNRS (Lei 12.305/2010) convencionou-se utilizar os termos RESÍDUO (pode ser reaproveitado) E REJEITO (não pode ser reaproveitado) e muitos, inúmeros projetos foram criados desde então, públicos e privados, a fim de educar a população sobre o que pode e deve ser reaproveitado e o que deve ser evitado, já que não há solução tecnológica (ainda) para o seu reaproveitamento.

Os 4 tipos de resíduos domésticos mais comuns:

  • Secos - papéis, plásticos, metais e vidros, que podem ser destinados à coleta seletiva. Confira no site ou pressione sua prefeitura para que cumpra esta obrigação.
  • Volumosos - sofás, camas, mesas, cadeiras, colchões, móveis velhos ou pedaços de móveis e eletrodomésticos quebrados e etc. Devem ser encaminhados a ecopontos (confira e cobre a prefeitura). Aqui em São Paulo também existe uma operação chamada CATA-BAGULHO com programação periódica de coleta residencial.
  • Úmidos - sobras de frutas e verduras cruas, guardanapos sujos, cascas de ovos, borra de café e folhas secas. Podem ser compostados em minhocários, ou em outros tipos de processos domésticos anaeróbios com Bokashi ou ainda com biodigestores (aceitam uma maior quantidade de resíduos).
  • Óleo de cozinha usado - guarde em garrafas com tampe e leve a pontos de coleta, busque por iniciativas privadas ou cobre, mais uma vez, sua prefeitura.
  • Resíduos perigosos de serviços da saúde - entregue medicamentos vencidos, agulhas, ampolas e seringas usadas nas farmácias e unidades de saúde (SUS).
  • Resíduos Perigosos - eletroeletrônicos, pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes. Separe em local reservado, pois são podem contaminar solo e água, com potencial dano à saúde humana e planetária, ou ainda causar incêndios, corrosão e reações tóxicas. Há programas de grandes varejistas e locais específicos para coleta. Exija do fabricante e ou comerciante a responsabildade da logística reversa.
  • Resíduos de reformas, podas e volumosos - entulho, areia, cimento, azulejos, podas de árvores, madeira, geladeiras, fogões, colchões. Entregue em ecopontos, o volume permitido é de 1m³ por dia, ou o equivalente a uma caixa d'água de 1.000 litros. (Parâmetros da cidade de São Paulo, se a sua cidade não possui, você tem o direito e o dever cidadão de cobrar da prefeitura).

É claro que neste contexto não podemos esquecer das organizações e outros grandes geradores de resíduos, como as prefeituras, que realizam poda e varredura de ruas, mas este item é tão extenso que tratarei em outro post.

Um 2º passo diz respeito a outra noção básica muito ligada à sustentabilidade: a responsabilidade. Sim a PNRS também deixou clara a noção de que todos nós somos responsáveis pelos resíduos e que esta responsabilidade é compartilhada com o fabricaten. Ou seja, o consumidor tem a responsabilidade de separar (segregar) os materiais recicláveis e realizar a destinação correta, os grandes geradores (indústrias e fabricantes) devem instituir a logística reversa e realizar a destinação correta, priorizando o reaproveitamento e a reinserção do material no processo produtivo, sendo os aterros a última opção.

Pois bem, porém nem tudo é simples assim, pois a maioria dos objetos e produtos que consumimos tem uma infinidade de materiais agregados e na grande maioria das vezes, nenhuma informação sobre a composição, a logística reversa, a reciclabilidade e muito menos sobre os programas de logística reversa.

Neste caso recomento que você utilize uma outra lei, garantida pela Constituição Federal, quer é a 8.078/1990 que institui os Direitos do Consumidor, nela está assegurado nosso direito à informação e a um canal de contato com a empresa, o famoso SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), que atende por diversos apelidos, dependendo da empresa. O fabricante tem a obrigação de orientar o consumidor quanto à correta destinação do produto pós consumo, inclusive da embalagem. Caso não obtenha atendimento ou resposta, o caminho a seguir é o PROCON do seu estado, vá com fé, já fiz isso muitas vezes e tive sucesso em algumas. Lembre-se que só cobrando nossos direitos haverá uma pressão financeira e de imagem que fará com que as empresas repensem o design dos seus produtos para soluções mais inteligentes e responsáveis.

Obtida a orientação, chegou a hora de separar estes resíduos em recicláveis e rejeitos, lembrando que os restos de alimentos são compostáveis. Sobre compostagem eu recomendo o site e Instagram da minha parceira Compostabarão onde você encontrará todas as orientações para compostagem com ou sem minhocas (Compostashi) em processos que aceitam até mesmo restos de alimentos cozidos e de origem animal. (Lembre-se de usar o cupom de desconto #sustentaoque para obter benefícios). Além da compostagem há diversos processos para o reaproveitamento dos resíduos orgânicos, como biodigestão, agora com equipamentos que já reaproveitam o gás e podem ser conectados ao seu aquecedor ou fogão. 

Mas este post vai tratar apenas dos recicláveis domésticos mais comuns. Então segue a lista dos mais comuns:

  • Papelão - jornais, revistas, papéis impressos, cadernos, embalagens, papel de seda, cartolina, kraft. 
    • SQN (só que não) - adesivos, etiquetas, fitas crepe, carbono, fotografia, papel toalha, higiênico, celofane, plastificado, engordurado, termossensível (comprovantes de pagamento), metalizado, parafinado, fotografia, entre outros de composição mista.
  • Metal - latas de alumínio, aço, ferragens, canos, esquadrias, arame, molas e latas de aço, fios, sucata, marmitex, ferros, frascos e fios de cobre.
    • SQN - clipes, grampos, esponja de aço, latas de tinta e verniz, aerossóis, veneno, combustível, pilhas e baterias. 
  • Vidro - garrafas, potes de alimentos, vidros de conserva e sucos. Mas atenção, se quebrado deve ser bem embalado e sinalizado para não ferir ninguém e cá para nós, reaproveite!
    • SQN - pirex e similares, vidros temperados, porcelana, tubo de TV e monitores, lentes de óculos, cerâmicas, espelho, lâmpada, ampola de medicamento e cristal.
  • Plástico - tipo PET (1), PEAD (2), PEBD(4) e PP(5), verifique o tipo na embalagem. Em geral, garrafas, embalagens de produtos de limpeza, higiene, tubos e canos, brinquedos, sacolas, isopor, capas de CD e DVD, tampas, mangueiras e copos.
    • SQN - tios PVC (3), BOPP (5) acrílico, PS (6) e 7 que são os misturados. Vale ressaltar que neste se incluem os policarbonatos, que contém bisfenol (um disruptor hormonal associado a diversas doenças, abortos e disfunções). Cabos de panela, espuma, bandejas, tomadas e acrílico.

Esperava mais desta lista não é mesmo? Pois é impossível cobrir a infinidade de produtos criados pela humanidade, sobretudo a infinidade de materiais associados, por isso o mais importante é a lista a seguir:

  1. Substitua a palavra LIXO por resíduos (secos/recicláveis ou úmidos/orgânicos) e rejeitos (não recicláveis);
  2. Assuma a responsabilidade pelos seus resíduos;
  3. Cobre a responsabilidade do fabricante e do comerciante, acione o SAC da empresa fabricante e questione sobre a composição dos materiais e exija orientações sobre o descarte correto do produto pós uso, isso é LEI;
  4. Informe-se na prefeitura do seu município sobre programas, dias e horários de coleta, pontes de entrega voluntária (PEVs) e Ecopontos;
  5. Fique atento a programas de ONG´s e empresas privadas, algumas já descobriram o imenso valor dos resíduos e se tornaram negócios, como a Molecoola e a Soma, por exemplo.

Tenho certeza que esta simples atitude vai te levar a repensar suas compras e deixo algumas luzes de esperança que tratarei em outros posts:

TerraCycle - esta ONG internacional faz algumas associações com empresas, criam programas que permitem a coleta com porte pago, realizando a reciclagem. Seu envio pode render doações a outras ONG´s que você mesmo escolhe.

Muita coisa, nós mesmos podemos reaproveitar, mas a atitude mais transformadora de todas é a seguinte:

  • Guarde seus resíduos (recicláveis) por uma semana;
  • Analise cuidadosamente a composição, tempo de uso, utilidade, reciclabilidade, responsabilidade do fabricante;
  • Pense em alternativas, o movimento #zerowaste é repleto delas;
  • Higienize todos os resíduos que for descartar, e proteja objetos cortantes (responsabilize-se pela saúde pública, isso é uma atitude cidadã);
  • Lembre-se que antes de reciclar temos o recusar, repensar, resignificar, reaproveitar e só então reciclar;
  • Para reciclar haverá uso de energia, água e muitas emissões para o transporte de lá pra cá e os materiais perdem valor a cada processo, ou seja, uma hora serão rejeito;
  • Reciclar só extende o uso, mas não resolve o problema dos resíduos.

E para terminar com esperança, saiba que no Fórum ABRE de Economia Circular (2020), algumas empresas sinalizaram a descoberta de novos processos de reciclagem e uma grande intenção em seguir os preceitos da economia circular.

 

 

 

Rede Sustentaoquê?
Daniela Delfini de Campos
Daniela Delfini de Campos Seguir

Entusiasta pela vida no planeta Terra. Conheci os conceitos de sustentabilidade em 2005, uma grande organização que virou case em Harvard. A partir de 2014 atuei como consultora e pesquisadora e crio conteúdo desde 2016 no Instagram @sustentaoque.

Ler conteúdo completo
Indicados para você