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Mobilidade urbana e eleições 2024, lá vem!

Mobilidade urbana e eleições 2024, lá vem!
Daniela Delfini de Campos
abr. 1 - 6 min de leitura
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Dia 6 de outubro de 2024 estaremos de volta à urna eletrônica para escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.

Desde 8 de junho de 2023, com a aprovação da Lei 17.975 sobre a revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE) assistimos a um boom trágico em São Paulo. São grandes obras públicas competindo com uma verticalizarão absurda de empreendimentos supostamente residenciais que abrigam, na verdade, pouca e privilegiada gente. É o que chamamos de gentrificação, se você não conhece o conceito pode buscar os documentários da Mostra Ecofalante de Cinema Socioambiental, mas trata-se de construir empreendimentos em centros urbanos, que servem mais ao mercado de investimentos que à moradia, de forma que permanecem vazio na maior parte do tempo, enquanto as pessoas são obrigadas a morar em periferias e se deslocar por longas distâncias para o trabalho nestes mesmos centros.

Para quem usa carro o tempo médio de deslocamento continua elevado: 2:19h, mas 4 em cada 10 paulistanos deve continuar indo a pé mesmo. Estes são os dados da última pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo, organização que "tem por missão mobilizar diversos segmentos da sociedade para, em parceria com instituições públicas e privadas, construir e se comprometer com uma agenda e um conjunto de metas, articular e promover ações" visando uma cidade justa, democrática e sustentável. Em suma, uma organização que você precisa conhecer se quiser acompanhar dados e discussões que promovem sustentabilidade no âmbito das cidades.

A mobilidade urbana é um assunto raro para quem começa a se interessar por sustentabilidade, mas todos sentimos quase diariamente os impactos desta atividade essencial. Mais presente na pauta de arquitetos e urbanistas, ou de entes interessados no ganho de licitações em grandes obras, a mobilidade urbana, ou a falta dela, rouba em média quase 2h da vida de quem se desloca em São Paulo.

Estou entre os pedestres guerreiros que buscam o meio mais “sustentável possível” mas vivem desviando dos buracos e desníveis das calçadas, brigando por respeito no farol ou no passeio, invadido por ciclistas e entregadores sem pudor algum (eles também não respeitam nenhuma outra lei de trânsito), como atesta a pesquisa da Rede Nossa São Paulo 😡.

A sensação de insegurança prevalece, principalmente ao atravessar ruas, ainda que na faixa de pedestre, e andar pelas calçadas. De acordo com um artigo do pesquisador Ivan Maglio, para o Jornal da USP, o novo PDE poderá elevar o adensamento e a verticalização do território da cidade em cerca de 150% e apesar das muitas demandas da sociedade civil para alteração dos territórios afetados pelos Eixos, a prefeitura retirou este tema do escopo da revisão promovida pelo Executivo, negando todos os pedidos realizados pela sociedade civil.

Ou seja, O INTERESSE DOS CIDADÃOS é tudo o que o prefeito Ricardo Nunes NÃO ESTÁ ATENDENDO e você também pode consultar os dados de avanço dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da sua cidade no site do IDSC BR - o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades onde o ODS 11 - Cidades e Comunidades Sustentáveis está em vermelho (nível muito baixo).  Além disso, “a ampliação do território verticalizável foi realizada sem estudos prévios e vem causando um desequilíbrio absurdo na economia da cidade, bem como a ampliação dos riscos e impactos sociais, ambientais e climáticos que esse projeto poderá causar para a cidade de São Paulo.” ‼️Repito: NÃO TEVE “nenhum estudo de impacto urbano ou ambiental, econômico ou de capacidade de suporte dos sistemas de transporte” e ainda aumentou o número de garagens em edifícios novos, o que vai contra o planejamento urbano com critérios de sustentabilidade, ou seja, seguem priorizando os carros particulares, um transporte individual, que no final das contas só beneficia as grandes montadoras e a economia do petróleo que está nos levando ao ponto de não retorno (ou seja, a beira do abismo).

Participei de uma mobilização - Fórum Mobi - em 2017, organizada pelo Instituto Ethos, especialistas, organizações da sociedade civil e cidadãos em geral quando da licitação do transporte público da cidade, ainda tenho a lista de 500 contribuições construídas coletivamente e com base tanto em dados quanto em pesquisas de usuários. Esta foi a ação mais bacana da qual participei, mas naquele tempo eu tinha ...  muito mais tempo, por isso acho relevante também que conheçamos entidades que se mobilizam para questionar o poder público, já que individualmente não há meios de se fazer ouvir por estas "entidades" que, curiosamente, são eleitas por nós mesmos.

Um exemplo de oranização que acompanho é a Minha Sampa, ela me ajuda a contribuir com ações relevantes, como a de questionar as 223 contratações emergenciais (de um total de 307) realizadas durante a gestão Nunes e que apresentam indícios de conluio entre empresas concorrentes. Estas obras, destinadas à contenção de encostas, intervenções em margens de rios, córregos e galerias pluviais, entre outras, somam um valor alarmante de R$ 4,3 bilhões, correspondendo a 87% do total contratado de forma emergencial.

Citei apenas dois exemplos de organizações que nos ajudam a praticar a tal cidadania ativa que venho defendendo desde que criei o Sustentaoquê. Você acaha viável seguir uma e outra pelas mídias e newsletters? Conta pra mim, o que você faz para praticar a cidadania e contribuir para que sua cidade seja mais sustentável!



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