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Reciclagem e Sustentabilidade - mais do mesmo, ainda essencial porque não passou de 5%

Reciclagem e Sustentabilidade - mais do mesmo, ainda essencial porque não passou de 5%
Daniela Delfini de Campos
jan. 3 - 6 min de leitura
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No tempo que o Instagram era só foto conceitual e eu tinha 1.000 novos seguidores a cada mês eu queria que as pessoas começassem a praticar sustentabilidade se responsabilizando pelo próprio resíduo.

Depois da pandemia mundial de COVID (2020-2023) a esperança foi pro ralo, junto com milhões de toneladas extras de resíduos oriundos da área da saúde e das 2 mil toneladas de plásticos a mais, fruto dos pedidos de delivery. 

Agora eu me pergunto: vai dar tempo de voltarmos ao primeiro passo dessa cartilha chamada sustentabilidade e fazer a humanidade dar marcha ré nessa pegada ecológica que aumenta a cada ano?

Vale lembrar que resíduo é algo que não serve mais para você, mas tem potencial de reaproveitamento e rejeito é tudo aquilo "que não tem jeito", ou seja, não pode ser reaproveitado.

Mas muito cuidado com essa simplificação!

Primeiro porque as novas tecnologias nos surpreendem diariamente e segundo porque embora muitas vezes não haja viabilidade econômica, interesse ou logística reversa das empresas, não significa que determinado resíduo seja rejeito, talvez seja mais conveniente classificar como rejeito quando a geradora do resíduo não tem "interesse" em fazer o certo, como define a Política Nacional de Resíduos Sólidos.


Eu quero acreditar em pesquisas como a do Instituto Akatu e Globescan: Vida Saudável e Sustentável 2023, que mostra que, ao longo dos anos, pautas de sustentabilidade e comportamentos ecologicamente responsáveis vêm aumentando gradualmente. 

A gente sabe sim onde tem que descartar e o que pode ou não ser reciclado, e que isso pode gerar renda, o que nos falta mesmo é condições pra que pessoas que só conseguem pensar na próxima refeição tenham horizontes um pouco maiores.

Em 2023 o Brasil voltou ao vergonhoso mapa da fome e à marca de 236 mil pessoas em situação de rua

Como falar de reciclagem com uma maioria de pessoas tentando sobreviver depois desses últimos anos assolados pela pandemia e todas ações e heranças de um desgoverno?

Eu falei muito de consciência e responsabilidade nesses últimos sete anos, agora quero cobrar com força de quem faz política

Quem tem fome, tem pressa, e, para estas pessoas, nada além da sobrevivência importa. Quem tem o privilégio de não estar neste grupo, tem também a responsabilidade de agir.



E para quem quiser saber sobre reciclagem, vá ao perfil da @lauradacruzreciclagem do @pimpmycarroca e apoie as iniciativas do @catakiapp, eles têm inúmeras ações, mas sobretudo, dar visibilidade para quem faz a reciclagem acontecer de verdade nesse país, o que de fato é reciclado, tem valor no mercado de reciclagem, é viável, eles são os verdadeiros especialistas. E o trabalho deles de vir até você e coletar é um serviço ambiental e precisa ser pago. assim como pagamos (com impostos) a coleta da prefeitura, operada por empresas gigantes e com muitas histórias de corrupção ao longo destes anos.

Resumindo: pense bem antes de comprar, o custo da embalagem tá incluído no preço, mas a dívida ambiental, não. Se você for responsável saberá que sua responsabilidade só termina se esse material for reaproveitado e para isso acontecer ele precisa ir para o lugar certo! Vale do papel da bala de coco até o sofá que você quer descartar.



Aora conta pra mim: com quantos anos você conheceu um ferro velho? E quando você vendeu seu primeiro quilo de papel?

Todo bairro tem e essa foi, pelo que me lembro, a primeira lição de sustentabilidade que recebi, e também de economia doméstica, já que ao invés de mesada, era meu jeito de ter umas moedinhas, valorizá-las e comprar o que desejava e ia além da pensão e do salário de professora municipal da minha mãe, que alimentava três bocas famintas, além da dela.

Mas além dessa questão, ontem, minha amiga, graduanda em sociologia, me propôs uma excelente: por que os bares e restaurantes ainda vendem bebidas engarrafadas ao invés de adotar, como a Casa Natura, apenas latas de alumínio?




É bacana ver como a Corona tem mantido a coerência e a recorrência nesse tema da reciclagem de garrafas de vidro. O vidro tem reciclagem infinita e o material de origem é a areia. 

Já os produtores de alumínio se organizaram logo de cara, em 1970, o material tem muitas vantagens como o peso, flexibilidade, padronização e tudo isso favoreceu seu alto índice de reciclabilidade de latinhas (100% em 2022, segundo a própria Associação Brasileira do Alumínio), mas a produção tem impactos controversos, basta lembrarmos que envolve a mineração, sempre vulnerável à violação de direitos humanos, prejuízos ambientais e questões indígenas e quilombolas, pra resumir.

Ou seja, tudo depende! Se a indústria se organizou desta forma é porque havia muito interesse, o custo da produção é altíssimo, foi criada demanda, foi desenvolvido um mercado, organizado, calculado, há interesse e vantagem econômica, gera lucro. Isso é o capitalismo, pessoal!


E pra terminar, clique aqui e relembre um dos vídeos virais que me fizeram sonhar com a sensibilização de mais pessoas dispostas a mudar seus hábitos, mas que virou lugar comum em qualquer ponto turístico. E será que de tão comum, já não nos comove mais? 


Ps.: Os links dos posts estão incorporados ao texto.


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